quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Sobre raposas e galinheiros


Pronto, agora tem bases científicas o caminho das pedras - pelos menos para os empreiteiros brasileiros e seus cupinchas políticos interessados em "organizar" a Copa do Mundo de 2014.

Segundo um estudo da Faculdade de Arquitetura da USP, a maioria dos estádios brasileiros teria de ser demolida e reconstruída para se adequar às normas da FIFA. Sem desmerecer os resultados do estudo, a tese é tudo o que os doutores em patrimônio público - e alheio - queriam ouvir.

Com a construção de novos estádios, vai sobrar dinheiro público e ralos sorvedouros de verdinhas descaminhadas para todos. A situação é a gêmea identica a do Pan, onde a conta dos cenários da festa, inflacionada em 444%, foi descontada do bolso do contribuinte brasileiro.

O problema não é constatar que nada serve - isso é óbvio nas condições precárias do estádios brasileiros. O problema maior é a palavra "construir", que soa como sinfonia nos ouvidos dos empresários e políticos, ou os dois na mesma pessoa, acostumados a "levar por fora" sua parte em tudo que erguem - seja escola, hospital ou simplesmete a lápide onde adormece o cadavério pagador de impostos brasileiro.

A matéria foi divuldade em vários jornais e sites do país.
Um deles, o Terra.
A matéia sobre o orçamento do Pan é da Folha

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

A gente se vê por aqui?

Confesso que sempre suspeitei da plumagem de craque, que muitos papagaios se apressaram em assobiar por aí, do jovem Pato. Porém, uma matéria de jornal do final de semana, além de algumas notícias lidas já depois de sua contratação pelo Milan, me fizeram se sentir tentado a dar um voto de confiança ao anatídeo jogador.

Segundo a tal matéria, publicada pela Folha no domingo, o imaculado Kaká teria pedido um conselho - um nome que não pudesse dar errado no Milan - ao auxiliar técnico do São Paulo, Milton Cruz, A resposta lépida e firme do melhor olheiro do Brasil foi Alexandre Pato. Não por Kaká, que é muito puro para a estirpe de minha opinião, mas por Milton Cruz, a quem considero profissional e vidente de primeira linhagem, me animei com a possibilidade de ver o rapazote jogar.

Vi. E pelo visto pude constatar, sem ufanismo nem floreios, que Pato tem talento. Quando crescer, duvido que se transforme em cisne, mas dessa qualidade estética pode prescindir se evoluir ainda mais no quesito técnica. Até a consagração, porém, é bom bater suas asinhas com calma e cabeça.

Em 2014, ano da Copa que serve de argumento a este pasquim digital, Pato terá 24 anos. O vôo até lá tem ventos fortes, nuvens carregadas e muitas trovoadas - intempéries que o meninote pode driblar sem dificuldades apenas observando o exemplo de nossos craques estrelados. E fazendo o contrário deles.

Se, como disse Pato, Ronaldo é seu ídolo de infância, talvez seja melhor para ele não seguir todas as pegadas, e apalpadas, do craque inspirador. Tudo bem que o jovem boleiro já arranjou a primeira atriz global para jogar uma pelada, mas é recomendável que não se entusiasme. Nada de participar da novelinha Malhação, arrumar uma rainha das embaixadas, ter um patinho e, depois de ter se tornado estrela do Vídeo Show, alavancar a carreira de modelos-atrizes-dançarinas-coelhinhas-manequins.

A euforia dos torcedores milaneses, como Pato deve saber, extrapola os limites da razão – e ás vezes, até mesmo da história. Chegam mesmo a dar títulos como Imperador, César e todo o tipo de nobiliarquia extinta ao craque da vez. O último Imperador, que era brasileiro, não agüentou o peso do cetro e se afogou na bebida. Caso deseje figurar como um dos protagonistas deste blog em 2014, é melhor que o rapaz não se deixe picar pela mosca azul e, só por cautela, finja que nem ouviu as ligações de Adriano o convidando para uma “saidinha”.

Quem é o empresário do Pato? É de Porto Alegre. Se for da família, ou gaúcho, é torcer para que seja menos enrolado e afobado que o irmão do ilusionista Ronaldinho. Afinal, no auge da carreira, conquistando façanhas pessoais e títulos em equipe, ninguém merece ser objeto de leilão por parte do “agente”. O melhor que o Pato tem a fazer é construir seu ninho lá por Milão e não pensar em lançar vôos mais arriscados tão cedo (arriscados, vejam bem, porque no Milan ele já estará no topo).

Só para ficar nos mais famosos e oscilantes, Adriano, Ronaldinho e Ronaldo são bons exemplos para Pato. Para o bem, já que jogaram e jogam muita bola, e para o mal, para que o jovem possa aprender o que não se deve fazer para prejudicar sua estada no panteão dos melhores jogadores do mundo.

Quanto ao Kaká, que ele fique sabendo que o convite inocente para a ida à Igreja pode lhe custar 10% do salário e, de quebra, uma oração exclusiva da bispa Sônia ao pé do ouvido. E nem adianta fazer bico...

sábado, 26 de janeiro de 2008

Inauguração

Bem amigos e inimigos da rede de bobos, estamos aqui - à altitude do mar, latitude impar, temperatura ambiente, ventos fortes soprados do leste e umidade relativa do ar relativamente normal - para a inauguração deste caldeirão de jornalistices ludopédicas.
Como o tempero aqui se pretende picante - com o único objetivo de demonstrar que pimenta no dos outros não é refresco -, as receitas noticiadas não devem ser engolidas sem uma boa dose de desconfiança. Desconfiar, aliás, é a proposta. Da Copa, das notícias com confete e serpentina, dos organizadores, dos políticos, das construtoras, enfim, todos os que puderem ser cozinhados a fim de não saírem mais uma vez, com o dinheiro alheio, por cima da carne seca.

O ditador da Confederação Brasileira de Futebol, o pio Ricardo Teixeira, já manifestou solidariedades, oferecendo desde o princípio muitos ingredientes suspeitos para esta tal Copa. Está no forno, em observação. O mesmo fizeram os cartolas, que temos às sacas em estoque, e os políticos, vendidos a granel por preço de banana nestas bandas.