segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

A gente se vê por aqui?

Confesso que sempre suspeitei da plumagem de craque, que muitos papagaios se apressaram em assobiar por aí, do jovem Pato. Porém, uma matéria de jornal do final de semana, além de algumas notícias lidas já depois de sua contratação pelo Milan, me fizeram se sentir tentado a dar um voto de confiança ao anatídeo jogador.

Segundo a tal matéria, publicada pela Folha no domingo, o imaculado Kaká teria pedido um conselho - um nome que não pudesse dar errado no Milan - ao auxiliar técnico do São Paulo, Milton Cruz, A resposta lépida e firme do melhor olheiro do Brasil foi Alexandre Pato. Não por Kaká, que é muito puro para a estirpe de minha opinião, mas por Milton Cruz, a quem considero profissional e vidente de primeira linhagem, me animei com a possibilidade de ver o rapazote jogar.

Vi. E pelo visto pude constatar, sem ufanismo nem floreios, que Pato tem talento. Quando crescer, duvido que se transforme em cisne, mas dessa qualidade estética pode prescindir se evoluir ainda mais no quesito técnica. Até a consagração, porém, é bom bater suas asinhas com calma e cabeça.

Em 2014, ano da Copa que serve de argumento a este pasquim digital, Pato terá 24 anos. O vôo até lá tem ventos fortes, nuvens carregadas e muitas trovoadas - intempéries que o meninote pode driblar sem dificuldades apenas observando o exemplo de nossos craques estrelados. E fazendo o contrário deles.

Se, como disse Pato, Ronaldo é seu ídolo de infância, talvez seja melhor para ele não seguir todas as pegadas, e apalpadas, do craque inspirador. Tudo bem que o jovem boleiro já arranjou a primeira atriz global para jogar uma pelada, mas é recomendável que não se entusiasme. Nada de participar da novelinha Malhação, arrumar uma rainha das embaixadas, ter um patinho e, depois de ter se tornado estrela do Vídeo Show, alavancar a carreira de modelos-atrizes-dançarinas-coelhinhas-manequins.

A euforia dos torcedores milaneses, como Pato deve saber, extrapola os limites da razão – e ás vezes, até mesmo da história. Chegam mesmo a dar títulos como Imperador, César e todo o tipo de nobiliarquia extinta ao craque da vez. O último Imperador, que era brasileiro, não agüentou o peso do cetro e se afogou na bebida. Caso deseje figurar como um dos protagonistas deste blog em 2014, é melhor que o rapaz não se deixe picar pela mosca azul e, só por cautela, finja que nem ouviu as ligações de Adriano o convidando para uma “saidinha”.

Quem é o empresário do Pato? É de Porto Alegre. Se for da família, ou gaúcho, é torcer para que seja menos enrolado e afobado que o irmão do ilusionista Ronaldinho. Afinal, no auge da carreira, conquistando façanhas pessoais e títulos em equipe, ninguém merece ser objeto de leilão por parte do “agente”. O melhor que o Pato tem a fazer é construir seu ninho lá por Milão e não pensar em lançar vôos mais arriscados tão cedo (arriscados, vejam bem, porque no Milan ele já estará no topo).

Só para ficar nos mais famosos e oscilantes, Adriano, Ronaldinho e Ronaldo são bons exemplos para Pato. Para o bem, já que jogaram e jogam muita bola, e para o mal, para que o jovem possa aprender o que não se deve fazer para prejudicar sua estada no panteão dos melhores jogadores do mundo.

Quanto ao Kaká, que ele fique sabendo que o convite inocente para a ida à Igreja pode lhe custar 10% do salário e, de quebra, uma oração exclusiva da bispa Sônia ao pé do ouvido. E nem adianta fazer bico...

Nenhum comentário: